1972 - Munique: bronze judô meio-pesado (Chiaki Ishii)

Chiaki Ishii é homenageado com o Troféu Adhemar Ferreira da Silva no Prêmio Brasil Olímpico 2023
Chiaki Ishii é homenageado com o Troféu Adhemar Ferreira da Silva no Prêmio Brasil Olímpico 2023 · Imagem: Source: ge.globo.com

Morreu nesta sexta-feira (16), aos 85 anos, Chiaki Ishii, o primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro. A causa não foi divulgada. Além de conquistar o bronze nos Jogos Olímpicos de Munique-1972, ele também foi ao pódio no Mundial de 1971.

Morre aos 85 anos Chiaki Ishii, primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro
Morre aos 85 anos Chiaki Ishii, primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro · Imagem: Source: ge.globo.com

– O judô brasileiro está de luto. A Confederação Brasileira de Judô lamenta profundamente o falecimento do Sensei Chiaki Ishii. Sua trajetória é marcada pelo pioneirismo, pela dedicação incansável ao judô e por um legado incalculável dentro e fora do tatame. Seu exemplo continuará inspirando por muitos e muitos anos – escreveu a CBJ em um comunicado nas redes sociais.

Chiakii Ishii, primeiro medalhista olímpico do judô brasileiro — Foto: Divulgação/CBJ

Nascido em Ashikaga, no Japão, Chiaki Ishii mudou-se para o Brasil após perder a seletiva japonesa para os Jogos Olímpicos de Tóquio 1964. Antes de se estabelecer no país e mostrar seu talento no judô, viajou por diversos lugares da América do Sul e trabalhou como agricultor em uma colônia japonesa em Presidente Prudente (SP). Ele se naturalizou brasileiro em 1969.

Se destacando por sua técnica e velocidade, Ishii se naturalizou brasileiro em 1969. A partir daí, conquistou títulos nacionais, sul-americanos e pan-americanos. Em 1971, alcançou um marco para o esporte brasileiro ao conquistar a medalha de bronze no Campeonato Mundial de Ludwigshafen, na Alemanha Ocidental, a primeira do país na competição.

Um ano depois, Ishii voltou a fazer história. Com uma campanha de cinco vitórias na categoria meio-pesado, conquistou o bronze nos Jogos Olímpicos de Munique 1972, tornando-se o primeiro brasileiro a subir ao pódio olímpico no judô. A medalha abriu caminho para outras 27 conquistas da modalidade em Olimpíadas.

– Hoje, o judô brasileiro se despede de uma de suas maiores referências. Chiaki Ishii foi um pioneiro que acreditou no potencial do Brasil e ajudou a mostrar ao mundo a força da nossa modalidade. Sua história não está apenas nas medalhas que conquistou, mas também nos atletas que formou, nos ensinamentos que compartilhou e no caminho que abriu para tantas gerações. Sua contribuição jamais será esquecida. Que sua memória permaneça viva em nosso esporte e continue inspirando todos aqueles que vestem um judogi – disse Paulo Wanderley, presidente da CBJ.

Chiaki Ishii é homenageado com o Troféu Adhemar Ferreira da Silva no Prêmio Brasil Olímpico 2023

A vitoriosa carreira de Ishii foi reconhecida com o convite de integrar o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil (COB), além de ter sido escolhido pela própria entidade para receber, em 2023, o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, oferecido aos atletas brasileiros que se destacaram e construíram um legado consistente e eterno. Ele também recebeu a graduação de Kodansha 9º Dan; a condecoração de Ordem ao Mérito da CBJ, a maior honraria do judô brasileiro.

Além do pioneirismo enquanto atleta, Ishii teve um papel importante no desenvolvimento do judô brasileiro após a aposentadoria competitiva. O trabalho em sua academia de judô na Lapa, em São Paulo, que gerou medalhistas olímpicos como Walter Carmona e Rafael “Baby” Silva – além de diversos faixas-preta, incluindo as próprias filhas, Tânia e Vânia, que foram atletas olímpicas.