João Azevedo Fernandes (1963 – 24 de abril de 2014) foi um historiador brasileiro, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), reconhecido na historiografia por seus estudos sobre cultura colonial, contato interétnico e práticas sociais relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas no período colonial.

Biografia João Azevedo Fernandes formou-se em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1984. Concluiu o mestrado em Antropologia pela mesma instituição em 1997 e, posteriormente, o doutorado em História na Universidade Federal Fluminense (UFF), em 2004. Sua tese, intitulada Selvagens Bebedeiras: Álcool, Embriaguez e Contatos Culturais no Brasil Colonial, tornou-se referência nos estudos sobre cultura e práticas sociais no período colonial. O trabalho recebeu atenção da imprensa com a resenha crítica publicada pela Folha de São Paulo, em 2004. Ingressou como docente do Departamento de História do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFPB em 1991, atuando na graduação e na pós-graduação. Lecionou disciplinas em diferentes campos da História, como História Antiga, América Pré-Colombiana, História da Ciência e História da América Portuguesa. Sua produção acadêmica abordou temas ligados à cultura indígena, dinâmica colonial e história das bebidas.

Atuação Acadêmica Os trabalhos de Fernandes contribuíram para ampliar o debate sobre contato cultural e dinâmicas coloniais, especialmente no que se refere às relações entre povos indígenas e colonizadores. Seus estudos sobre práticas de consumo, processos de mediação cultural e construções sociais da embriaguez no Brasil colonial são frequentemente citados na historiografia do período. Além da produção bibliográfica, exerceu papel importante na formação de estudantes e pesquisadores da UFPB, participando de bancas, projetos e atividades de extensão.

Falecimento João Azevedo Fernandes faleceu em 24 de abril de 2014, vítima de infarto, aos 51 anos. Seu falecimento foi comunicado pela ANPUH, pela Associação dos Docentes da Universidade Federal (ADUFPB) - entidade sindical que era associado - e, pela Universidade Federal da Paraíba, que manifestaram pesar pela perda do docente e pesquisador.

Legado Sua trajetória acadêmica destacou-se pela articulação entre história e antropologia, contribuindo para a compreensão das práticas culturais no Brasil colonial. Seus estudos permanecem como referência para investigações sobre cultura indígena, sociabilidade e mediações culturais no período colonial.

Obras De Cunhã a Mamemulca: a mulher Tupinambá e o nascimento do Brasil (Ed. UFPB, 2003) Espuma Divina: Sobriedade e embriaguez na Europa Antiga e Medieval (Ed. UFPB, 2010), Selvagens Bebedeiras: Álcool e contatos culturais no Brasil Colonial – Séculos XVI-XVII (Ed. Alameda, 2011).