Mirelle Pinheiro

Grupo usava botão secreto para cobrar mais de passageiros de táxi no Galeão
Grupo usava botão secreto para cobrar mais de passageiros de táxi no Galeão · Imagem: Divulgação/PCERJ

Investigações da PCERJ identificaram diversas cobranças abusivas, incluindo corridas superiores a R$ 900 para a Zona Sul do Rio

Grupo usava botão secreto para cobrar mais de passageiros de táxi no Galeão
Grupo usava botão secreto para cobrar mais de passageiros de táxi no Galeão · Imagem: Source: www.metropoles.com

Letícia Guedes

08/10/2026 08:56

Divulgação/PCERJ

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagrou, nesta quinta-feira (8/10), uma operação contra uma quadrilha suspeita de adulterar taxímetros para aumentar o valor das corridas de passageiros do Aeroporto Internacional do Galeão.

A fraude acontecia por meio de um dispositivo eletrônico escondido atrás de um botão do porta-malas, utilizado para aumentar o valor das corridas. As investigações identificaram diversas cobranças abusivas, incluindo corridas superiores a R$ 900 para a Zona Sul do Rio.

A investigação teve início a partir da denúncia de um passageiro que foi abordado por um homem que se identificou como ligado ao serviço de táxi quando desembarcava no aeroporto. Ele foi conduzido a um veículo e, durante o trajeto, notou um salto repentino no valor indicado no taxímetro. Ao chegar ao destino, percebeu que havia pagado cerca de 50% a mais do que a tarifa regular.

No decorrer das diligências, o veículo foi localizado pela PCERJ e submetido à perícia. Os exames do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) identificaram uma pequena placa eletrônica conectada ao taxímetro, capaz de multiplicar os pulsos enviados pelo sensor do automóvel, fazendo com que a tarifa aumentasse. Escondido atrás de um botão do porta-malas, o dispositivo podia ser acionado discretamente pelo motorista e acrescentar, de uma só vez, cerca de 20% ao valor da corrida.

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O aprofundamento das investigações revelou que o mecanismo não seria utilizado de forma isolada pelos motoristas, mas faria parte de uma estrutura organizada.

Documentos apreendidos indicaram que a instalação do dispositivo era exigida pela empresa responsável pela locação dos táxis e realizada em uma oficina indicada pelo próprio grupo.

Segundo a PCERJ, há indícios de que a frota vinculada ao grupo alcance cerca de 200 veículos. Além disso, também é apurada a possibilidade de que o mecanismo já viesse instalado em modo automático antes mesmo da entrega do carro ao motorista locatário, o que permitiria que a fraude operasse de forma contínua e silenciosa.

Os investigadores identificaram ainda a atuação de “jóqueis” no aeroporto, que abordavam passageiros, especialmente turistas e pessoas que não conheciam a cidade, e recebiam comissão por direcioná-los aos veículos sem autorização para operar no terminal aeroportuário.

De acordo com as apurações, a atuação dos “jóqueis” é coordenada por um integrante do tráfico de drogas que atua na comunidade do Barbante, na Ilha do Governador, localizada ao lado do aeroporto. A organização criminosa também vem tentando impor aos taxistas regularmente autorizados que passem a atuar em conjunto com os captadores, submetendo também o serviço legalizado ao seu controle. Segundo os agentes, essa prática, até o momento, não se concretizou.

A operação

Policiais civis da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), da Delegacia de Atendimento Policial do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Dairj) e da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat) deflagraram, nesta quinta-feira (8/10), uma operação contra o esquema.

Os alvos das ações são a sede operacional e o pátio de frota de um grupo empresarial de locação de táxis, uma pessoa jurídica vinculada a ele e a oficina responsável pela instalação do dispositivo fraudulento.

As equipes cumprem mandados de busca e apreensão em endereços nos bairros do Rocha e Piedade, na Zona Norte do Rio, no Centro da cidade e no terminal aeroportuário.

As diligências também ontam com o apoio da Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant). Até o momento, várias pessoas foram conduzidas para prestar depoimento.