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Venda de carteira de crédito do BRB para o BTG trava registro de imóveis
Venda de carteira de crédito do BRB para o BTG trava registro de imóveis · Imagem: Divulgação/BRB

Como mostrou a coluna, desde o início da crise, BRB já vendeu ao menos R$ 5 bilhões em carteiras de crédito imobiliário ao BRB

Venda de carteira de crédito do BRB para o BTG trava registro de imóveis
Venda de carteira de crédito do BRB para o BTG trava registro de imóveis · Imagem: Source: www.metropoles.com

Gabriella Furquim

22/09/2026 02:45

Divulgação/BRB

Há mais de uma semana a servidora pública Leidy Diana Oliveira, 38 anos, está presa em um labirinto burocrático sem encontrar saída. O pesadelo começou logo após a realização de um sonho. Diana vendeu o imóvel em que vivia para comprar uma casa. Mas, ao tentar registrar a transferência no cartório, descobriu que estava presa em um emaranhado envolvendo a venda, pelo BRB, de carteiras de crédito imobiliário ao BTG Pactual.

Como revelou a coluna, desde o início da crise de liquidez envolvendo operações com o extinto Banco Master, o BRB já vendeu R$ 10 bilhões em ativos. Ao menos metade desse valor diz respeito a carteiras de crédito imobiliários adquiridas pelo BTG. São, na ponta, empréstimos contratados por pessoas e empresas junto ao BRB para a compra ou construção de imóveis.

É o caso de Diana. Ela contraiu um empréstimo com o BRB para adquirir o imóvel que vendeu. Ainda faltavam algumas parcelas. Mas, na negociação, ficou acertado que outro banco, contratado pelo comprador, quitaria a dívida.

“O cartório negou a assinatura do BRB como interveniente quitante, foi quando soube que existia essa operação com o BTG”, conta. Ao procurar a agência onde havia contratado o empréstimo, ouviu dos gerentes que eles desconheciam a mudança. “Não sabiam de nada, não constava nada no sistema deles.”

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Ao procurar o BTG, Diana foi orientada a entrar em contato com… o BRB. “Embora o contrato tenha sido adquirido pelo BTG Pactual, as solicitações relacionadas ao processo de desaverbação permanecem sob responsabilidade do BRB, motivo pelo qual o atendimento e as orientações devem ser obtidos diretamente junto à instituição”, diz o e-mail do BTG em resposta à solicitação de Diana.

Já o 2º Ofício de Registro de Imóveis do Distrito Federal informa que o BRB cedeu os créditos relativos ao empréstimo de Diana ao BTG Pactual e, por isso, é necessário “retificar o instrumento para fazer constar como interveniente quitante o Banco BTG Pactual S/A, bem como, a qualificação e sua representação, bem como, constar a assinatura do interveniente quitante”.

Diana registrou o caso no Banco Central (BC), que encaminhou a queixa ao BTG e deu prazo de 90 dias para a instituição financeira se manifestar. A servidora pública também notificou extrajudicialmente tanto o BRB quanto o BTG. Não obteve resposta até a publicação do texto.

“Resolveria só com uma assinatura. E não resolve. Sem conseguir concluir a transação eu não posso comprar a casa dos meus sonhos. Sonho ao qual eu me dedico há anos”, lamentou.

O caso de Diana está longe de ser o único. No site Reclame Aqui há dezenas de queixas semelhantes, de diferentes lugares do país. Há casos registrados em junho deste ano, ainda sem solução.

Um morador de Patos de Minas (MG) relata: “Adquiri um imóvel financiado pela Caixa Econômica Federal e, para viabilizar a operação, o saldo devedor do financiamento anterior foi quitado por meio de pagamento realizado pela Caixa ao credor, na condição de interveniente quitante”.

“Durante o processo de registro da escritura e do novo financiamento, o Cartório de Registro de Imóveis identificou que os direitos fiduciários originalmente pertencentes ao BRB – Banco de Brasília S.A. haviam sido cedidos ao Banco BTG Pactual S.A., conforme consta na matrícula do imóvel. Em razão dessa cessão, o Cartório emitiu exigência formal informando que, para conclusão do registro, é necessária a apresentação de documentação a ser fornecida pelo Banco BTG Pactual S.A., consistindo em: 1 – Termo de Quitação; 2 – Documentação comprobatória dos poderes de representação dos signatários ([Editado pelo Reclame Aqui] de procurações/instrumentos de mandato)”, continua o relato.

Ele, então, diz já ter feito diversos contatos com o BTG pelos canais institucionais, além de ter registrado o problema no BC. “Não tivemos nenhum retorno. A ausência desses documentos está causando atraso na regularização da transferência da propriedade e do financiamento, gerando prejuízos às partes envolvidas e insegurança jurídica quanto à conclusão da operação.”

Outro cliente de Brasília fez um relato semelhante e desabafou:”O que mais causa indignação é que o cliente fica em um verdadeiro jogo de empurra. O BTG frequentemente informa que determinadas questões dependem do BRB, enquanto o problema permanece sem solução prática. No final, quem sofre os prejuízos sou eu, que estou tentando concluir a venda de um imóvel e corro risco de atrasos, transtornos e até mesmo perda da negociação”.

A coluna entrou em contato com o BRB e com o BTG Pactual. Por meio de nota, o BRB informou que “os contratos de financiamento imobiliário firmados pelo banco permanecem válidos e plenamente eficazes, não havendo qualquer prejuízo aos direitos dos clientes em decorrência de operações de cessão de crédito realizadas no curso normal dos negócios”.

“Em situações específicas que envolvam registros cartorários ou exigências documentais relacionadas ao agente detentor do crédito, o Banco atua em conjunto com as partes envolvidas para prestar os esclarecimentos e fornecer a documentação necessária à regularização dos procedimentos. Cada caso possui particularidades próprias e demanda análise individualizada”, conclui o texto.

Já o BTG não respondeu aos questionamentos até a publicação do texto. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos aos consumidores.