Parece invenção de desenho animado, mas existe: uma árvore que dá pêssegos num galho, ameixas em outro, damascos, nectarinas, cerejas e até amêndoas. É a Tree of 40 Fruit, a “árvore de 40 frutas”, criada pelo artista e professor americano Sam Van Aken, da Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos.

Não há engenharia genética envolvida. O segredo é uma técnica agrícola antiga chamada enxertia, e todas essas frutas são parentes próximas.

O que muda de um galho para outro

Variedade

O galho enxertado conserva as características da planta de origem.

Compatibilidade

As plantas precisam ser compatíveis para a união funcionar.

Colheita

Os frutos amadurecem em épocas diferentes; não aparecem todos de uma vez.

Como uma árvore passa a dar frutas diferentes

Enxertar é, em resumo, fazer um pedaço de uma planta crescer grudado em outra. Van Aken usa a enxertia de gema: corta uma lasca fina de galho com um broto de uma variedade, encaixa a lasca em um corte do mesmo formato na árvore principal e protege a união. Com o tempo, os tecidos cicatrizam juntos e o broto vira um galho novo, com as características da planta de origem.

É o mesmo princípio usado em pomares há séculos para multiplicar variedades.

Isso só funciona entre plantas compatíveis. Por isso a árvore não tem laranja, banana ou maçã: as árvores de frutas de caroço descritas aqui reúnem variedades aparentadas. A compatibilidade entre o enxerto e a planta que o recebe é essencial; o parentesco, sozinho, não garante que qualquer combinação funcione.

Segundo a Universidade de Syracuse, o artista trabalha com um acervo de mais de 250 variedades dessas frutas, muitas delas antigas.

O número 40 é meta e nome, não contagem garantida; o artista diz que o escolheu pelo peso histórico e religioso.

Cada árvore vai ganhando enxertos ao longo de anos. A plantada em março de 2025 na Temple University, na Filadélfia, começou com 15 tipos, e o plano é completar o restante em visitas anuais de enxertia, segundo o site PhillyVoice, que acompanhou o plantio.

Na enxertia de gema, um broto de outra variedade é unido à planta que o recebe. Esquema ilustrativo, sem escala; não é registro do projeto. Imagem gerada por inteligência artificial / Olhar Digital.

Um projeto que já tem quase duas décadas

O projeto começou em 2008, a partir do trabalho de Van Aken com variedades de um pomar experimental do estado de Nova York.

São necessários anos de enxertia para completar cada árvore. Na primavera, os galhos florescem em tons diferentes ao mesmo tempo. Já os frutos não amadurecem juntos: em uma mesma árvore, a colheita se espalha por meses do verão do hemisfério norte, variedade a variedade.

Por que vale mais do que uma curiosidade

Além do efeito visual, o projeto funciona como um banco vivo de variedades que quase não se encontram mais no mercado. Van Aken dá preferência a variedades anteriores ao século 20, de acordo com a PhillyVoice. A ideia cresceu em outro trabalho dele, o Open Orchard, em Governors Island, Nova York, com mais de uma centena de árvores enxertadas com cerca de 350 variedades, segundo a universidade.

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