São Paulo, BrasilDe uma humilde casa de madeira, em Kaloré, no Paraná, a goleiro com 333 jogos pelo Palmeiras.Dez títulos. Sim, dez títulos.No dia 12 de junho de 1993, era ele quem estava debaixo das traves. E que espalmou cobrança de falta no ângulo, de Neto. E que defendeu cabeçada a queima-roupa de Viola. Era o goleiro do fim do jejum de 16 anos, sem títulos, do Palmeiras.“Foi uma das maiores alegrias da minha vida. Ninguém tem ideia do que sofríamos no clube sem títulos. Eu era ainda goleiro da base quando soube da torcida organizada arrebentando a nossa sala de troféus. “Jogar no Parque Antártica, naquela época, era uma pressão inacreditável. Mas venci.’Sérgio foi um dos maiores goleiros da história da Sociedade Esportiva Palmeiras. “Eu fazia parte da escola de goleiros do Palmeiras. De onde saiu também o Velloso. E para onde veio o Marcão. O incrível é que éramos três goleiros de alto nível, competíamos para ser titular, mas conseguimos ser muito amigos. Principalmente eu e o Marcos, que virou meu irmão.”A grande desvantagem de Sérgio estava na personalidade. “Eu admito agora, que falava muito pouco. Eu deveria ter usado mais os microfones. Mas a minha timidez atrapalhou.” Ele não esconde que foi o goleiro que o influenciou. E jogou um período curto no Palmeiras.“O Carlos, que foi da Seleção Brasileira. Ele era muito técnico, nada espalhafatoso. Foi o que eu fiz durante toda a minha vida.“SdeSérgio também esteve presente no primeiro rebaixamento do Palmeiras. “Foi uma enorme surpresa para todos. A nossa equipe era ótima. O Levir Culpi, grande técnico. Mas não deu liga. Nós não conseguimos ter cumplicidade, amizade. Vieram jogadores de vários estados, times diferentes. “Fomos perdendo jogos inesperados. A pressão foi enorme. Até que perdemos contra o Vitória e fomos rebaixados. Foi algo terrível. Mas tive o orgulho de seguir no Palmeiras. Disputei inúmeros jogos na Série B, porque o Marcão se machucava muito. E veio o grande alívio de recolocar o Palmeiras na Série A.’Marcos realmente tem uma relação fraterna com Sérgio.”Ele é matuto, do interior como eu. Passamos por várias situações juntos. Ele já me ajudou e eu a ele. Depois da final do Mundial no Japão, quando ele falhou no gol do Manchester United, foi direto comigo. “Queria parar de jogar. Estava sentindo o peso da derrota. E acho que todos os palmeirenses iriam atormentá-lo. Queria parar, de verdade. Conversamos e fui firme com o Marcos. Não deixei!“Ele é espontâneo, sincero. E queria fazer o Palmeiras campeão do mundo. Falei, insisti e ele foi cedendo. Esquecendo a vontade verdadeira que ele tinha de abandonar o futebol.’Sérgio também foi fundamental para Marcos durante a Copa do Mundo de 2002. “A gente se falava por telefone. “E ele me perguntava: ‘Sergião, por que o Felipão me põe como titular. O Dida cata pra cacete. O Rogério Ceni é fenômeno. Não sei o que o Felipão me quer jogando. E se eu falhar? Vou ferrar o Brasil inteiro....’ E eu acalmava ele. “O Marcão nunca se deu o valor que mereceu. Ele tem um talento enorme e natural. Se fosse regrado, firme nos treinos, iria muito mais longe do que foi. Sempre peguei no pé dele. Mesmo eu ficando na reserva. O incentivava a ser cada vez melhor.”A cumplicidade chegou a um ponto que Marcão só renovava o contrato com o Palmeiras se Sérgio também renovasse.Sérgio chegou a jogar no Bahia, no Santos, na Portuguesa. E alguns outros times pequenos. Só encerrou sua carreira aos 42 anos.“Atuei em outros clubes, mas meu amor sempre foi pelo Palmeiras. Foi inesquecível o que vivi no Parque Antártica.”Sérgio é mais um dos mais de 200 personagens do esporte, do canal Cosme Rímoli, no youtube.São mais de 21,7 milhões de acessos.As entrevistas mais marcantes passam na Record News, aos sábados, às 10h30, no programa Cosme Rìmoli Entrevista.A desta semana será com Magrão, ex-Palmeiras, ex-Corinthians e Internacional...















