Cientista belga Francis Halzen, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA, recebe distinção pela descoberta de neutrinos de alta energia

6 out 2026 - 07h23

(atualizado às 07h34)

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- Por: Deutsche Welle

Resumo

O cientista belga Francis Halzen venceu o Nobel de Física de 2026 por sua liderança no observatório IceCube, na Antártida, e pela detecção pioneira de neutrinos de alta energia de origem astrofísica. Suas pesquisas viabilizaram o uso do gelo polar para rastrear essas misteriosas partículas elementares, inaugurando uma nova era na astronomia. Dotada de 12 milhões de coroas suecas, a premiação celebra 125 anos de história e dá sequência aos anúncios das demais categorias do Nobel.

Halzen falou com o comitê por telefone: "Foi uma grande surpresa e, obviamente, eu não esperava por isso"

Foto: DW / Deutsche Welle

O cientista belga Francis Halzen, da Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA, recebeu o Prêmio Nobel de Física de 2026, anunciou nesta terça-feira, 6, a Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo.

Halzen recebeu a distinção por suas contribuições decisivas para o observatório de neutrinos IceCube, na Antártida, e para a descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica.

Halzen falou com o comitê por telefone, da Itália, nesta terça-feira. "Foi uma grande surpresa e, obviamente, eu não esperava por isso", disse.

Nascido na Bélgica, o cientista de 82 anos é vinculado à Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos.
O prêmio leva o nome do seu criador, o inventor sueco Alfred Nobel (1833-1896). Neste ano, a dotação teve um aumento de 9%, alcançando 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões), para comemorar os 125 anos desde que o prêmio foi concedido pela primeira vez.
O que é a pesquisa laureada?
As pesquisas de Halzen sobre a detecção de neutrinos no Polo Sul remontam à década de 1980. Halzen reconheceu que o gelo do Polo Sul poderia ser usado para rastrear essas partículas, disse o Comitê Nobel de Física.
Sua visão e sua liderança científica foram de importância fundamental para o projeto IceCube, afirmou o comitê. Com esse observatório, cujos sensores estão espalhados por um quilômetro cúbico de gelo, os pesquisadores podem detectar neutrinos provenientes de processos extremamente energéticos no universo distante.
Os neutrinos, também chamados de partículas-fantasma, estão entre as partículas elementares mais misteriosas. Eles não possuem carga elétrica e têm massa quase nula, além de interagirem apenas de forma muito fraca com a matéria comum. Por isso, sua detecção é extremamente difícil.
Um neutrino é um mensageiro fantasmagórico vindo do espaço, explicou o presidente do Comitê Nobel de Física, Mark Pearce.
Em média, 10 bilhões de neutrinos atingem a cada segundo cada centímetro quadrado da superfície terrestre. Grandes instalações de detecção, como o IceCube no gelo da Antártida, têm como objetivo identificar ao menos uma parte dessas partículas.
"Francis Halzen liderou uma equipe internacional de pesquisadores e engenheiros que nos proporcionou um instrumento extraordinário. Sua perseverança e visão científica abriram caminho para um novo tipo de astronomia", afirmou Pearce.
Química é o próximo
O Prêmio Nobel de Física de 2025 foi concedido ao britânico John Clarke, ao francês Michel Devoret e ao americano John Martinis pela "descoberta do efeito túnel macroscópico da mecânica quântica e da quantização da energia num circuito elétrico". O trio está baseado nos Estados Unidos. Sua pesquisa abriu caminhos para as tecnologias de base da computação quântica, de sensores de precisão e da criptografia avançada.
Em 2024, o Nobel de Física foi concedido ao americano John Hopfield e o canadense Geoffrey Hinton, por "descobertas e invenções fundamentais que possibilitam o aprendizado de máquina com redes neuronais artificiais".
Em 2023, o prestigioso prêmio da física foi para três cientistas: a franco-sueca Anne L'Huillier, o francês Pierre Agostini e Ferenc Krausz, de origem húngara. Juntos, eles proporcionaram a primeira visão, de uma fração de segundo, no mundo superveloz dos elétrons, através de pulsos luminosos extremamente breves. Essas partículas giram em torno do núcleo dos átomos a alta velocidade, sendo fundamentais para praticamente tudo, da química, física e dispositivos eletrônicos ao funcionamento dos organismos.
Os seis dias de anúncios do Nobel iniciaram-se nesta segunda-feira, com o de Medicina, dado ao americano Karl Deisseroth e aos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel por suas descobertas relacionadas à atividade cerebral.
As descobertas desses três cientistas em optogenética, um método que permite mostrar como as células nervosas moldam as memórias, os sentimentos e os comportamentos no cérebro vivo, "lançaram as bases de uma nova era na neurociência", de acordo com o detalhamento da decisão.
Por meio da optogenética, os pesquisadores conseguiram revelar os circuitos neuronais que controlam memórias, emoções e comportamentos específicos relacionados a transtornos neurológicos e psiquiátricos.
Após o de Física, seguem-se Química, Literatura e, na sexta-feira, o da Paz. Na próxima segunda-feira, por fim, será anunciado o Nobel de Economia, que não faz parte da lista de prêmios determinada no testamento de Alfred Nobel e que foi criado em 1968 pelo Banco da Suécia em homenagem a Alfred Nobel.
as/cn (Reuters, AFP, DPA, Efe, ots)
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