Les forgerons (vue d'atelier) (em português: Os ferreiros (vista da oficina)) é um curta-metragem francês de filme mudo e documentário de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès. Distribuído pela Star Film, o filme é registrado com o número 38 em seu catálogo, sob o título principal Les forgerons e o subtítulo descritivo vue d'atelier — "vista de oficina". O filme é considerado presumidamente desaparecido.

O filme O subtítulo *vue d'atelier* — "vista da oficina" — distingue este filme dos *actuality films* puramente documentais de Méliès e sugere uma cena encenada num ambiente de trabalho real ou reconstituído, categoria que os historiadores do cinema chamam de *actualité reconstituée* — atualidade reconstituída. Nesse tipo de produção, o cineasta controlava a ação filmada — pedindo aos trabalhadores que repetissem ou exagerassem seus gestos para a câmera — sem que a cena deixasse de ocorrer num espaço de trabalho autêntico. O tema dos ferreiros tinha uma genealogia cinematográfica direta que Méliès certamente conhecia. O filme *Blacksmith Scene* (1893), produzido pelo estúdio de Thomas Edison, havia sido um dos primeiros filmes exibidos publicamente nos Estados Unidos e mostrava ferreiros interrompendo o trabalho para passar uma garrafa de cerveja entre si — uma gag que combinava o registro do trabalho manual com um momento de leveza. Os Irmãos Lumière recriaram o mesmo tema em *Les Forgerons* (1895), um dos dez filmes exibidos na primeira sessão pública do Cinematógrafo em 28 de dezembro de 1895 — a mesma sessão que inspirou Georges Méliès a iniciar sua própria carreira cinematográfica. O filme dos Lumière seguia o mesmo esquema de Edison: ferreiros ao trabalho, com a passagem da garrafa de cerveja como momento central da cena. A versão de Méliès, rodada no mesmo ano em que assistiu pela primeira vez ao Cinematógrafo, insere-se nessa tradição de recriações do tema — prática corrente no cinema nascente, onde a ausência de direito autoral aplicado às imagens tornava as recriações não apenas toleradas mas esperadas pelo público. Como o filme está perdido, não é possível determinar com certeza se Méliès manteve a estrutura narrativa de seus predecessores ou introduziu variações próprias. O subtítulo *vue d'atelier*, contudo, indica que a filmagem ocorreu numa oficina — real ou reconstituída — e não num estúdio neutro, aproximando-o da tradição documental dos Lumière mais do que da encenação estúdio de Edison.

Status de conservação Nenhuma cópia de Les forgerons (vue d'atelier) é conhecida por ter sobrevivido. O filme integra o conjunto de títulos de Méliès destruídos em 1923, quando o diretor fundiu os negativos de sua coleção para recuperar a prata da emulsão. Não deve ser confundido com *Les Forgerons* (1895), dos Irmãos Lumière, filme distinto que sobreviveu em cópia e que inspirou o presente título.

Ver também Georges Méliès Star Film Company Filme perdido Les Forgerons (Lumière, 1895) Actualité reconstituée

Referências

Ligações externas «Les forgerons (vue d'atelier) no IMDb» (em inglês) «STAR-FILM 1896 — GRIMH, Université Lyon 2» (em francês) «Filmografia de Méliès — MélièsFilms.com» (em francês)