Os candidatos Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estúdio da TV Globo para participar do debate entre candidatos ao governo de São Paulo.

Foto: Globo/ Bob Paulino

Os candidatos a governador de São Paulo participam, nesta terça-feira, 29, de um debate promovido pela TV Globo. Participam os candidatos Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT).

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A segurança pública marcou o primeiro bloco do debate. Haddad abriu o bloco perguntando a Tarcísio sobre a atuação do Comando Vermelho nas regiões de Piracicaba e Rio Claro. O candidato do PT afirmou que o governador havia debochado anteriormente das informações sobre a presença da facção, mas depois reconhecido a existência de um núcleo de inteligência do grupo na Baixada Santista. Ele questionou se Tarcísio continuaria negando a atuação do CV e quais medidas adotaria para reforçar a segurança.

Em resposta, Tarcísio defendeu os resultados de sua gestão e afirmou que os indicadores de criminalidade em São Paulo estão em queda, chegando aos menores níveis da história. O governador citou operações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), incluindo a prisão de integrantes que estavam na Bolívia, e afirmou que sua administração impôs prejuízos à organização criminosa, inclusive em setores como transporte e combustíveis.

Tarcísio também mencionou ações contra o tráfico de drogas na região central da capital, onde fica a Cracolândia, e prisões relacionadas a crimes de “novo cangaço” em Piracicaba. Ao destacar o trabalho das forças policiais, cumprimentou os agentes envolvidos nas operações.

Na sequência, Haddad questionou a relação política de Tarcísio com a família do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite. O petista afirmou que o governador havia participado de um palanque para pedir votos aos filhos de Milton Leite, que, segundo ele, teriam influência sobre a prefeitura e o sistema de transporte da capital.

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Tarcísio respondeu que a relação com a família Leite sempre foi institucional e citou iniciativas nas áreas de saneamento, habitação e infraestrutura. Em seguida, contra-atacou, acusando Haddad de já ter participado de um palanque na Favela do Moinho com pessoas ligadas ao PCC.

A discussão entrou para o âmbito nacional quando Haddad mencionou a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal em conjunto com outras forças de segurança do Estado de São Paulo.

Haddad defendeu a criação de uma agência antifacção com participação da Polícia Federal e da Receita Federal, para integrar o combate ao crime organizado e evitar disputas de protagonismo entre instituições. Ele citou a Operação Carbono Oculto, que, segundo o candidato, teve iniciativa do governo federal e combateu esquemas ligados ao setor de combustíveis, além de mencionar o Banco Master e fundos suspeitos de lavagem de dinheiro.

O petista também propôs o registro de boletins de ocorrência por meio de inteligência artificial no WhatsApp. Tarcísio contestou a necessidade de criar uma nova agência e afirmou que a cooperação entre os órgãos já ocorre em São Paulo. O governador também reivindicou a participação do estado na Operação Carbono Oculto, citando o trabalho do Gaeco, e voltou a defender os resultados de sua administração no combate ao crime organizado.

Saúde e dívida pública

Na segunda rodada de perguntas do primeiro bloco, Tarcísio escolheu o tema Saúde e a região metropolitana da Baixada Santista para debater. Os candidatos discutiram as filas do SUS, a ampliação de leitos, a construção de hospitais e o financiamento do sistema. O confronto também envolveu críticas à gestão da pandemia e, ao final, uma troca de declarações sobre a dívida pública paulista.

O petista afirmou que as filas do SUS no estado não avançam e citou dados que atribuiu ao Tribunal de Contas da União (TCU), segundo os quais o tempo de espera teria aumentado em determinados procedimentos. Ele também criticou o modelo de regulação da saúde paulista, dizendo que pacientes precisam entrar em filas separadas para consultas, exames e cirurgias. O candidato do PT defendeu a criação de hospitais-dia, unidades que realizariam exames e procedimentos cirúrgicos no mesmo local, e afirmou que o sistema de regulação estadual, o Cross, não dá conta da demanda.

Tarcísio respondeu destacando a ampliação da oferta de leitos durante sua gestão. Citou a entrega de hospitais em Peruíbe e Bertioga, a abertura de leitos na Santa Casa de Santos e a previsão de novas maternidades em São Vicente, Guarujá e Praia Grande. Segundo o governador, a região enfrentava uma deficiência histórica de leitos, e seu governo promoveu a maior expansão da rede hospitalar do estado. O governador também defendeu a criação da Tabela SUS Paulista, mecanismo de complementação dos valores pagos por procedimentos hospitalares, com recursos estaduais.

Na réplica, Haddad contestou os números apresentados por Tarcísio e afirmou que a fila do SUS continua aumentando. Também contestou a apresentação da Tabela SUS Paulista como uma iniciativa exclusivamente estadual, afirmando que 61% dos recursos utilizados seriam provenientes do governo federal.
Tarcísio rebateu dizendo que o governo federal participa cada vez menos do financiamento da saúde paulista. Defendeu a complementação estadual aos hospitais e afirmou que o governo destina recursos para ampliar a capacidade de atendimento das unidades municipais e filantrópicas.
Haddad atribuiu parte da pressão sobre o sistema de saúde ao represamento de procedimentos durante a pandemia de Covid-19, que, segundo ele, foi agravado pela condução do governo de Jair Bolsonaro. O petista afirmou que o Brasil concentrou uma parcela desproporcional das mortes mundiais pela doença.
Tarcísio reagiu, criticando a gestão de Haddad quando prefeito de São Paulo e afirmando que seu governo está entregando obras e ampliando serviços. O governador disse que pretende transformar todos os AMEs em hospitais-dia e questionou quantas unidades o adversário pretende construir.
Haddad respondeu que sua proposta inicial previa 70 hospitais-dia, mas que a quantidade poderia ser menor caso a regulação do Cross fosse reformulada.
Nos momentos finais da rodada, os candidatos passaram a discutir a dívida pública de São Paulo. Haddad afirmou que o governo federal ampliou os recursos do BNDES e criticou a gestão de Bolsonaro. Também atribuiu ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva a renegociação da dívida paulista com a União.
A discussão foi interrompida pelo tempo regulamentar, sem que Tarcísio apresentasse uma resposta completa à última declaração de Haddad.
Segundo bloco - Inclusão de crianças com deficiência e situação fiscal
O segundo bloco do debate, com tema livre, foi marcado por propostas voltadas às mães atípicas, críticas à inclusão de crianças com deficiência na rede estadual e um confronto sobre a situação fiscal do país e de São Paulo. Haddad começou a rodada falando sobre questões fiscais do Estado, mas rapidamente foi interpelado por Tarcísio, que mudou o assunto para a questão das mães atípicas.
Tarcísio apresentou propostas para mães de crianças com deficiências. O governador prometeu criar as Casas das Mães Atípicas, espaços de acolhimento com atendimento psicológico, assistência jurídica e orientação para acesso a direitos. O candidato também afirmou que pretende ampliar os Centros TEA, voltados ao atendimento de pessoas com transtorno do espectro autista, com unidades em diferentes regiões do estado. Outra proposta é reduzir a jornada de trabalho de servidoras estaduais que sejam mães atípicas.
Haddad desviou inicialmente do tema e criticou a falta de transparência do governo estadual na divulgação dos benefícios fiscais concedidos a empresas. O petista afirmou que São Paulo não disponibiliza informações individualizadas sobre as renúncias tributárias, diferentemente do governo federal, e acusou Tarcísio de recorrer à Justiça para impedir a divulgação dos dados. Haddad prometeu tornar públicas as informações caso seja eleito e também mencionou denúncias e afastamentos de servidores da Secretaria da Fazenda.
Haddad relatou ter conversado com mães de crianças com deficiência durante a campanha e afirmou que algumas precisam permanecer nas unidades escolares por falta de profissionais capacitados para acompanhar os filhos. Tarcísio negou que sua gestão tenha reduzido o número de profissionais especializados e afirmou que contratou mais agentes de apoio escolar, por meio de licitação.
Haddad voltou a contestar a política de inclusão do estado e citou o programa BPC na Escola, criado durante sua gestão no Ministério da Educação. Ele afirmou que o modelo não estaria sendo aplicado adequadamente em São Paulo e convidou o governador a conhecer a realidade das famílias atendidas pela rede estadual.
Quem participa do debate?
Por que só Tarcisio e Haddad vão participar do debate da Globo:
- Tarcísio de Freitas (Republicanos)
- Fernando Haddad (PT)
Os demais candidatos ao governo de São Paulo não participam porque não atenderam ao critério da emissora de representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional utilizado para o convite. São eles Carlos Machado (PCB), Izadora Dias (PCO), Vera Lúcia (PSTU) e Vivian Mendes (UP).
Regras do debate
O debate será dividido em quatro blocos, e terá como base perguntas feitas entre os próprios participantes. A proposta é que eles detalhem os planos de governo para os espectadores, propondo as discussões sobre os principais assuntos para o estado. Tarcísio e Haddad ficarão lado a lado no estúdio e poderão circular pelo espaço livremente.
O primeiro e o terceiro blocos serão dedicados a temas determinados, com 20 minutos de duração cada, sendo 10 minutos para discussão de cada tema. Nesses blocos, cada candidato irá escolher um tema entre seis previamente definidos pelo jornalismo da Globo, e que serão mostrados em um telão.
Depois, cada um irá selecionar uma região metropolitana no estado. A questão proposta ao adversário deve estar relacionada tanto ao tema quanto à região. Cada candidato terá seis minutos por tema e poderá administrar esse tempo livremente.
O segundo e o quarto blocos terão tema livre, com 20 minutos cada. Neles, os candidatos terão 10 minutos para debater e gerenciar o tempo. Quem for sorteado para começar o segundo bloco será o segundo a perguntar no quarto bloco. Ao final, os candidatos apresentam suas considerações finais.


