As flavanonas constituem uma subclasse biologicamente relevante de flavonoides, amplamente distribuída no reino vegetal e caracterizada quimicamente pela ausência de uma ligação dupla entre os carbonos 2 e 3 do anel heterocíclico central, o que lhes confere um centro quiral no carbono 2 e as distingue estruturalmente das flavonas e flavonóis. Estes compostos polifenólicos encontram-se predominantemente em concentrações elevadas nos frutos do género Citrus, tais como laranjas, limões, toranjas e limas, ocorrendo frequentemente na forma de glicosídeos (ligados a açúcares) para aumentar a sua solubilidade hidrofílica na planta. Entre as flavanonas mais estudadas pela ciência destacam-se a naringenina, a hesperetina e a eriodictiol, juntamente com as suas respetivas formas glicosiladas, a naringina e a hesperidina. Do ponto de vista fitoterapêutico e nutricional, este grupo de metabolitos secundários tem despertado um enorme interesse na comunidade médica e científica devido ao seu robusto perfil farmacológico, que inclui propriedades antioxidantes fundamentais no combate ao stress oxidativo celular, atividades anti-inflamatórias através da modulação de vias de sinalização enzimática, e efeitos cardioprotetores associados à melhoria da função endotelial e à redução dos níveis de lípidos no sangue. Adicionalmente, investigações contemporâneas sugerem que o consumo regular de alimentos ricos em flavanonas pode desempenhar um papel preventivo no desenvolvimento de doenças crónicas não transmissíveis, como a diabetes do tipo 2, a obesidade e certas patologias neurodegenerativas, embora o seu aproveitamento pleno no organismo continue a ser limitado pela sua baixa biodisponibilidade intestinal, um desafio que a biotecnologia moderna tenta contornar através de novos sistemas de libertação e formulações farmacêuticas.

Referências