Em 31 de janeiro de 2024, o chefe da PlayStation Studios, Herman Hulst, e o lendário desenvolvedor de games Hideo Kojima apertavam as mãos para selar o State of Play com o anúncio de Physint . O jogo é uma nova IP original da Kojima Productions que promete retornar às raízes dos gênero de ação e espionagem tática, posto para o público como um sucessor espiritual de Metal Gear . O anúncio também indicava que o título ultrapassaria a barreira dos games e ganharia novos ares com o apoio da Columbia Pictures, produtora e distribuidora de filmes que faz parte do conglomerado da Sony. Dois anos mais tarde, em junho de 2026, a produtora foi notificada pela PlayStation sobre o fim do financiamento e o cancelamento do projeto Physint. A decisão levou a Kojima Productions a buscar uma nova empresa nos três meses seguintes para manter o jogo vivo, encontrando refúgio no XBOX de Asha Sharma . A PlayStation Studios justificou a decisão de se afastar da colaboração com a produtora, afirmando que ação foi feita "após uma análise cuidadosa". A marca reforçou em um rápido comunicado que segue tendo uma "grande admiração pela visão de Hideo Kojima para o jogo" e afirmou que o relacionamento com o diretor seguirá forte após três décadas de parceria. A Sony não revelou detalhes do motivo de voltar atrás com Physint , o que soou não apenas como um tapa na cara dos fãs do PlayStation, mas como uma facada nas costas de Kojima. Physint: o presente de Kojima aos fãs de Metal Gear Todo o status de Hideo Kojima como intocável na indústria dos games se deve à genialidade e à inovação do diretor japonês em trazer ideias totalmente mirabolantes para os seus projetos. Kojima ficou extremamente popular graças ao seu trabalho na série Metal Gear , enquanto ainda era funcionário da Konami. O destaque aqui vai para a inventividade desses jogos, personalidade que os torna quase únicos e personagens marcantes dignos do diretor. Tudo isso foi levado por Kojima quando ele deixou a produtora japonesa em 2015 e se afastou do gênero de ação e espionagem tática para focar em sua primeira IP independente, Death Stranding. O jogo foi lançado em 2019 e foi um exclusivo temporário do PlayStation por anos, completando a line-up de jogos que só poderiam ser encontrados no PS4. Ter um jogo de um dos maiores desenvolvedores de todos os tempos apenas na sua plataforma não era pouca coisa. O afastamento de Metal Gear frustrou muitos fãs. Apesar de ser propriedade da Konami, a franquia despontou como uma das mais importantes do mundo dos games, em especial na década de 2000. A série já segue em um hiato de títulos principais há mais de uma década (não, Metal Gear Survive não existe e ele não pode te machucar). Em 2020, isso mudaria totalmente. Em plena pandemia, Kojima passou por um período de isolamento e por problemas de saúde que o levaram a fazer uma cirurgia . "Eu estava no meu nível mais baixo e senti que não poderia voltar a fazer jogos", afirmou o diretor em entrevista à IGN em 2024. "Eu escrevi um testamento também. E naquele momento percebi que as pessoas morrem. Mas fiz 60 anos no ano passado. Farei 70 anos em 10 anos. Espero nunca me aposentar." Por esse motivo e pelo pedido de vários fãs de Metal Gear, Kojima pensou que deveria mudar suas prioridades. Embora ainda queira trabalhar em projetos totalmente novos e desafiadores como o próprio Death Stranding, ele decidiu retornar ao gênero de ação e espionagem tática . Daí nasceu Physint. Vale notar que a palavra 'Physint' nada mais é que um nome provisório e ainda não representa o título final da produção, embora carregue referências à franquia protagonizada por Snake. Kojima destacou o projeto como um jogo de próxima geração e promete entregar um nível técnico tão alto a ponto de quebrar a barreira entre videogame e cinema . Physint é um jogo de ponta que contará com o pedigree da Kojima Productions muito bem visto na geometria de Death Stranding 2: On the Beach e na promessa crescente de OD , outro projeto do diretor em parceria com o XBOX. No entanto, o jogo de ação e espionagem tática está em seus estágios embrionários e não deve ver a luz do dia até pelo menos 2030 . PlayStation e "O Curso do Império: Destruição" A Sony contou com uma recuperação fantástica após entregar uma geração complicada com o PS3 . Em 2020, a empresa estreou o seu PlayStation 5, que prometia carregar todas as conquistas de seu antecessor, entre elas jogos de ponta com ação e cinematografia que prometiam chegar até mesmo com quem nunca encostou num controle. A Sony nunca lucrou tanto com um console como com o PS5, o que não significa que a empresa esteja em um bom momento. Em Destruição (1836), o artista norte-americano Thomas Cole retrata a queda de um império tomada pela arrogância, pelo materialismo e pela desconexão . Quase dois séculos depois, este é o cenário perfeito para descrever o PlayStation em 2026. A marca tem passado por sua pior crise de imagem pública desde a sua fundação em 1994 , em um momento em que suas principais rivais se afastaram e a crise de componentes tem assolado todos os bens de consumo do mundo que necessitam de qualquer espécie de chip. A divisão apostou todas as suas fichas em jogos como serviço para um retorno financeiro rápido, buscando sucessos do nível de Call of Duty e Fortnite, mas tem fracassado de maneira retumbante em todas as suas tentativas. Concord, por exemplo, foi considerado um dos maiores fracassos da história do PlayStation , e não é para menos. Embora a divisão tenha se recuperado nesse setor com Helldivers II, todo o hiperfoco em jogos multiplayer online com microtransações tem se afastado do desejo dos fãs e da proposta que tornou o PlayStation 4 algo tão atraente. Além disso, a Sony tem tomado decisões bem complicadas sobre seus estúdios. A empresa fechou a Bluepoint Games em fevereiro de 2026 . O estúdio tinha foco em trazer clássicos como Shadow of the Colossus e Demon's Souls para plataformas modernas, uma excelente oportunidade para recuperar IPs antigas e a confiança dos fãs, algo jogado no lixo com o seu fechamento. A compra da Bungie é outro movimento questionável apontado por críticos da nova fase do PlayStation. O estúdio ficou responsável por supervisionar os projetos live-service da divisão, mas acabou sofrendo com demissões em massa e, no momento, se afastou da IP de Destiny. A cereja do bolo, no entanto, foi o anúncio do fim de jogos em mídia física para o PlayStation em janeiro de 2028, o que desencadeou uma crise sem precedentes para a Sony . Há ainda problemas como a precificação na PlayStation Store do Brasil , o encarecimento de serviços e hardware e a falta de criatividade em novos títulos . Apesar de estar vivendo a sua pior fase, não parece haver qualquer esforço por parte da Sony para tentar reverter esse caminho. Em mais uma pá de cal, a Sony dispensou uma das mentes mais criativas dos games e a viu correr para os braços de sua principal rival ao longo de duas décadas. Não só isso: o PlayStation negou um projeto de Kojima que provavelmente o faria retornar ao gênero que o lançou , algo que deve balançar toda a indústria como Metal Gear fez no passado. PlayStation e Kojima: Folie à Deux Mas afinal, por que a Sony tomaria uma decisão tão impopular em seu momento mais crítico com um de seus parceiros mais antigos? Bom, há muitas camadas a se explorar aqui, mesmo com o PlayStation não admitindo ou revelando o motivo da ruptura em momento algum até agora. Hideo Kojima é conhecido por toda a sua inventividade em seus jogos, algo que só pode ser feito a certo custo . Toda a ambição do produtor em suas IPs o leva a utilizar tecnologias de ponta, contratar atores estourados de Hollywood e atingir um nível técnico altíssimo, o que gera custos que a Sony aparentemente não quer bancar. Como dito anteriormente, Physint deve chegar somente em 2030 (ou até depois), algo que pode não agradar muito a um PlayStation que tem apostado em jogos live-service para um rápido retorno financeiro. Basta ver projetos como Fair Games, 4:Loop, Horizon Hunters Gathering e Marathon , jogos que foram lançados ou seguem em desenvolvimento, mesmo que o público já tenha deixado claro que não quer esse tipo de experiência das mãos do PlayStation. Apostar em uma nova IP que pode ser lançada somente na virada da década pode ter ligado um alerta vermelho nos corredores da Sony, mesmo que seja um projeto de um dos maiores desenvolvedores de todos os tempos. A marca parece mais rigorosa com seus orçamentos, mesmo que esteja vivendo uma geração de recordes de receita, sendo a mais lucrativa da história, segundo a própria japonesa . Um dos pontos de mudança nessa falta de investimento a longo prazo foi a ocidentalização da companhia, em especial na forma como gere seus recursos, investimentos e como desenvolve seus games. Nos últimos anos, grandes marcas e estúdios do Ocidente têm passado por problemas frequentes de orçamento , demissões em massa e cancelamentos de projetos, enquanto, do outro lado do mundo, empresas como Capcom e Nintendo parecem viver um nirvana . Na teoria, jogos live-service dão um retorno mais rápido e constante , algo que toda companhia de games ocidental tem buscado desde que os consoles entraram na era digital. Não há espaço para projetos como Physint nessa equação, e o resultado é exatamente o mesmo: cancelamento atrás de cancelamento . Há também o fator de vendas. De acordo com a Alinea Analytics, Death Stranding 2 vendeu 2,5 milhões de unidades até setembro de 2026 . Deste total, 1,8 milhão foi comercializado no PlayStation 5, enquanto outras 700 mil cópias foram vendidas no Steam, o que, segundo os dados, teria gerado uma receita de US$ 170 milhões. O chefe de análise de mercado da Alinea, Rhys Elliott, sugere que a franquia Death Stranding pode ter conseguido se pagar desde a estreia do primeiro jogo em 2019, mas sem necessariamente uma margem ampla de lucros . Será que Physint, no escopo que promete, conseguiria gerar lucros suficientes para agradar a Sony? Não sabemos. O motivo real do rompimento entre PlayStation e Kojima pode nunca vir a público. O diretor é difícil de trabalhar? Os prazos estavam muito longos? A Sony precisaria apostar muito alto por um retorno incerto? São perguntas que ficarão na nossa mente quando Physint chegar ao XBOX e provavelmente ao PC em 2030 (ou além), se a Microsoft permitir que o projeto exista até lá.





