Mirelle Pinheiro

A Justiça também determinou o bloqueio de 21 contas bancárias e aplicações financeiras até o limite de R$ 10 milhões

Mirelle Pinheiro
18/09/2026 07:41
PCPR/Divulgação
A Polícia Civil do Paraná deflagrou, nesta sexta-feira (18/9), uma operação contra uma organização criminosa familiar suspeita de abastecer grupos criminosos do Rio de Janeiro com grandes carregamentos de drogas e armas. São cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão no Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.
Segundo a investigação, o núcleo era comandado por um homem que contava com a companheira e os quatro filhos para manter a estrutura. Cada integrante da família teria uma função específica no esquema, que envolvia desde o transporte dos carregamentos até a movimentação e ocultação do dinheiro.
A Justiça também determinou o bloqueio de 21 contas bancárias e aplicações financeiras até o limite de R$ 10 milhões, além de medidas sobre 19 veículos relacionados aos investigados.
A investigação começou em fevereiro deste ano, após o compartilhamento de provas obtidas a partir da prisão, em dezembro de 2025, de um traficante responsável por transportar grandes quantidades de drogas e armas de Curitiba para comunidades dominadas por organizações criminosas no Rio.
Com a prisão, segundo a polícia, outro homem assumiu imediatamente a função e passou a coordenar a logística no eixo Maringá, Curitiba e Rio de Janeiro. Foi a partir dele que os investigadores chegaram à estrutura familiar.
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Em junho, a polícia encontrou cerca de 459 quilos de cocaína e crack, um fuzil calibre 5,56 mm, nove pistolas e peças para a montagem de 15 fuzis calibre 7,62 mm. Dois integrantes da família foram flagrados transferindo o material de um caminhão para outro veículo em Campo Largo, no Paraná.
Onze dias depois, outro carregamento relacionado ao grupo foi interceptado em Ourinhos, no interior de São Paulo. Desta vez, foram encontrados 18 fuzis, carregadores e drogas.
Drogas e armas
A investigação aponta que o grupo criou uma transportadora de fachada para dar aparência legal às operações. Drogas e armas eram escondidas entre mercadorias lícitas levadas pelos caminhões da própria empresa.
O transporte contava ainda com carros usados como “batedores”. Eles seguiam à frente dos caminhões e informavam, em tempo real, a localização de postos da Polícia Rodoviária Federal e de viaturas encontradas durante o trajeto.
O homem apontado como líder também teria criado uma identidade falsa, utilizada para abrir contas bancárias, registrar veículos de alto valor, constituir a transportadora e realizar negócios milionários.
Um dos filhos teria repetido a estratégia, adotando outra identidade e abrindo duas empresas. Uma delas foi registrada na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, onde a polícia cumpre uma das buscas desta sexta-feira.
R$ 28,8 milhões
A análise financeira identificou aproximadamente R$ 28,8 milhões em créditos nas contas relacionadas aos investigados. A polícia aponta incompatibilidade entre parte dessas movimentações e a renda declarada pelos envolvidos.
Uma das empresas familiares, por exemplo, movimentou R$ 4,2 milhões entre 2025 e 2026, apesar de ter informado ao contador faturamento de pouco mais de R$ 34 mil.
Um dos filhos recebeu individualmente mais de R$ 1,1 milhão no mesmo período e realizou saques em espécie superiores a R$ 393 mil. A investigação encontrou ainda depósitos feitos no Rio de Janeiro e em Angra dos Reis.
A PCPR também identificou o que considera um elo financeiro entre a família e uma facção criminosa fluminense. A conexão passaria por uma empresa formalmente dedicada a serviços de serralheria e vidraçaria.
Somente essa empresa recebeu mais de R$ 17 milhões em créditos em 2025. O responsável formal, apontado pela investigação como encarregado do controle financeiro da facção, declarou renda mensal de R$ 1,5 mil, mas movimentou mais de R$ 3,6 milhões.
A investigação encontrou ainda operações envolvendo uma aeronave, a construção de um hangar em Foz do Iguaçu e a aquisição de uma cota em um clube de voo no interior de São Paulo por R$ 989,5 mil.

