Política / Eleições 2026

Donald Trump não declarou abertamente apoio a nenhum candidato, mas impulsionou Flávio Bolsonaro 'de forma sutil' contra Lula
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Boneco de Trump segurando uma imagem de Lula durante ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo
O Brasil está erguendo uma barreira para tentar proteger sua votação, no próximo domingo, de uma possível interferência dos Estados Unidos. A avaliação é do jornal americano New York Times, que classificou o pleito brasileiro como o maior teste para a direita na América Latina e para o histórico de sucesso da influência de Donald Trump na região.
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O NYT afirma que o chefe da Casa Branca, desde que assumiu o cargo, se tornou um "fiel articulador eleitoral", de maneira que candidatos de direita alinhados a Washington venceram as últimas sete disputas regionais — Trump endossou explicitamente o vencedor em duas delas. Agora, enquanto os brasileiros se preparam para ir às urnas, a questão que paira no ar é qual será o próximo movimento do republicano, segundo texto publicado pelo diário esta semana.
"O líder americano não declarou abertamente apoio a nenhum candidato brasileiro. Mas o governo Trump, de forma mais sutil, impulsionou o candidato de direita Flávio Bolsonaro, que concorre contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de esquerda. Tendo observado o Sr. Trump interferir em outras eleições e vivenciado sua tentativa fracassada de ajudar o pai do Sr. Bolsonaro a evitar a prisão por conspiração para um golpe de Estado, o Brasil está erguendo uma barreira para tentar proteger sua votação crucial de uma possível interferência dos EUA", escreveu o diário.
Segundo o NYT, os esforços incluem o monitoramento do lobby estrangeiro e da desinformação, o combate a alegações falsas sobre fraude eleitoral e a busca do apoio de países na Europa, Ásia e outras regiões. O jornal afirma ter apurado essa movimentação do governo brasileiro com base em entrevistas com mais de uma dezena de servidores e funcionários do sistema eleitoral, além de policiais, agentes de inteligência e diplomatas.
A preocupação, segundo o jornal, é que, numa disputa tão acirrada à Presidência, uma ajuda de Trump possa inclinar a balança a favor de Flávio, que desafia o candidato à reeleição. Autoridades brasileiras disseram que essa ajuda poderia vir na forma de "outras medidas" para prejudicar a imagem de Lula, depois do anúncio de sanções contra ministros e magistrados brasileiros em defesa de condenados pela trama golpista e do tarifaço contra produtos nacionais.
"Muitos também se preocupam com campanhas online vindas do exterior que podem estar ajudando o Sr. Bolsonaro. Uma recente onda de publicações pagas nas redes sociais, compartilhadas por contas proeminentes da direita americana, intensificou esses temores", exemplificou o jornal, citando publicações que apontaram a alta de Flávio nos mercados preditivos, como o Polymarket.
No texto, Lula é descrito como"um dos poucos líderes mundiais a confrontar Trump" e alguém que "deixou claro que está preparado para defender os interesses do seu país". O NYT lembrou o discurso do petista contra a ingerência externa nas eleições, durante a abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, e o bloqueio da visita de emissários dos Estados Unidos que iriam acompanhar o sistema eleitoral.
Uma vitória de Bolsonaro reforçaria os planos ambiciosos de Washington para expandir sua influência na América Latina por meio de aliados de direita, segundo o New York Times. E o Brasil, neste contexto, representa "o maior prêmio restante". Na avaliação do NYT, com Flávio como presidente, o Brasil provavelmente se alinharia mais com os EUA em questões como crime organizado e minerais críticos — que Lula já rechaçou entregar sem contrapartidas e que documentos vazados, escritos por um aliado bolsonarista, indicaram como suposta moeda de troca por um apoio à oposição.
O jornal lembrou que o então presidente americano, Joe Biden, reconheceu a vitória de Lula pouco depois do anúncio do resultado das eleições de 2022, o que não impediu que apoiadores bolsonaristas invadissem os prédios dos Três Poderes em 8 de janeiro nem o andamento da trama golpista, pela qual o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros acabaram condenados (diferentemente dos apoiadores trumpistas na invasão do Capitólio, em 2021).
"Caso seu filho, Flávio, perca, há indícios de que o candidato poderá lançar acusações semelhantes de fraude eleitoral — e seus aliados esperam encontrar apoio em Trump", destacou o NYT.
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