Amalia González Caballero de Castillo Ledón (Santander Jiménez, 8 de agosto de 1898 - Cidade de México, 3 de junho de 1986) foi uma dramaturga e uma diplomata, a primeira mulher embaixadora de México. Castillo Ledón tem origem na cidade de Santander Jiménez, no estado de Tamaulipas, e sua relevância a história mexicana vem de sua luta em prol dos direitos das mulheres. Como exemplo dessa luta, observamos como ela fundou e presidiu o Ateneu Mexicano de Mulheres, e fez parte do Clube Internacional de Mulheres (1932). Devido a sua relevância no tópico, Amalia foi nomeada vice-presidente da Comissão Interamericana de Mulheres, que fomentar a liderança feminina na vida civil, política, econômica e social. Essa comissão criada em 1928, foi incorporada à Organização dos Estados Americanos (OEA) em 1948. A diplomata defendia a necessidade do sufrágio feminino no México, atuando ativamente na promoção dos direitos políticos femininos no país. Essa luta foi finalmente concretizada com a promulgação da reforma do artigo 34 da Constituição Federal Mexicana, durante o governo do presidente Adolfo Ruiz Cortines, que reconheceu plenamente a cidadania das mulheres ao lhes garantir o direito ao voto e à elegibilidade. Como dramaturga também foi autora de peças que representavam suas reflexões políticas. Dentre suas obras, pode-se destacar Cuando las hojas caen (Quando as folhas caem) de 1929, que reflete sobre a separação de um casal. No período, essa temática era algo indiscutível e desconfortável para a sociedade mexicana, e falar abertamente sobre um tabu demonstra a perspectiva de Amalia mais centrada na mulher e em seus direitos.
Primeiros anos Nascida em Santander Jiménez, era filha de Vicente González Garcilazo e María Caballero Garza. Iniciou seus estudos na Escola Municipal de Cidade Victoria, e para o lado profissional, ingressou na Escola Normal de Professores da mesma cidade. Mudou-se para a capital mexicana, onde iniciou o curso de declamação e arte teatral no Conservatório Nacional de Música. Posteriormente, ingressou na Universidade Nacional de México, atualmente chamada de Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), onde cursou matérias na Faculdade de Filosofia e Letras. No dia 30 de setembro de 1927, casou-se com o intelectual nayarita (original do estado mexicano de Naiarite) Luis Castillo Ledón, com quem teve três filhos: Luis Antonio, Beatriz (médica) e Gabriela Castillo Ledón.
Atividades culturais Foi a figura central em diversos fóruns e conferências devido ao seu papel na política externa e doméstica do país. Fundou diversas organizações de cunho social, cultural e/ou política. Foi Presidenta Fundadora do Ateneu Mexicano de Mulheres, presidenta da Sociedade Mundial de Mulheres, com residência em Buenos Aires, fundadora do Clube Internacional de Mulheres e Trabalhadores Intelectuais, membro do Seminário de Cultura Mexicana e, como tal, conferencista em diversas cidades do país.
Sua trajetória pela Cidade de México Em 1929, junto com os doutores Aquilino Villanueva e Ignacio Chávez, participou na criação da Associação Nacional de Proteção à Infância. Nesse mesmo ano trabalhou na criação do Escritório de Educação e Recreações Populares do então Departamento Central do Distrito Federal (posteriormente chamado de Ação Social). Com o objetivo de difundir a dramaturgia para todos os níveis sociais (promover o teatro de massas), promoveu a instalação de enormes "carpas" (teatros ambulantes no México) e palcos ao ar livre em locais públicos. Abriu centros culturais, e dentro de penitenciárias estabeleceu oficinas de artes e ofícios. Para as filhas de pessoas presas, fundou a Escola Heróis de Celaya, na região de Azcapotzalco. Também organizou a primeira União de Atores Teatrais Mexicanos. Após casar-se com o intectual Luis Castillo Ledón, tornou-se primeira dama do estado de Naiarite nos anos 1930 e 1931, por conta disso teve uma curta estadia na cidade de Tepic, capital do estado.
Vida diplomática Em 1936, junto com Luz Lado, Graciana Álvarez, Belém de Zárraga, Julia Nava de Ruisánchez, María Rios Cárdenas, Otilia Zambrano e Josefina Velásquez, formou o Cômite Feminino Interamericano pró Democracia, cuja missão foi apoiar e divulgar os princípios da política externa de México. Em 1944 foi membro titular do Seminário de Cultura Mexicana, e realizou os trâmites para incorporar a Comissão Interamericana de Mulheres à Organização de Estados Americanos (OEA).
Em 1945, dos dias de 25 de abril a 26 de junho, realizando suas esteve presente na conferência que originou as Nações Unidas, em San Francisco. Durante os fóruns fez parte de movimentações que focavam em aderir a igualdade de gênero na Carta das Nações Unidas. Em 1948, foi nomeada presidenta do Setor Feminino do Partido da Revolução Mexicana (PRM), e presidiu o Cômite Coordenador Feminino para a Defesa da Pátria. Também em 1948 representou a México na Organização dos Estados Americanos, e em 1952 fundou a Aliança de Mulheres de México. Em 1964 foi membro do Conselho Consultivo da Administração Pública Internacional das Nações Unidas. Em 1965, foi representante do Organismo Internacional de Energia Atómica, e em 1980, assessora da Secretaria de Turismo.
Morte e Homenagens Faleceu na Cidade de México no dia 3 de junho de 1986, aos 88 anos de idade. Reconhecendo sua relevância na história mexicana, o estado de Tamaulipas transferiu seus restos mortais para a Rotonda de los Tamaulipecos. A Rotonda é um monumento, um panteão, na cidade de Victoria, em Tamaulipas, que homenageia pessoas notáveis da região, e a homenagem de Amália ocorreu em 22 de novembro de 2006. Juntamente a cerimõnia foi apresentada uma peça de teatro escrita e dirigida por Medardo Treviño e interpretada por Angélica Aragón. A poeta e diplomata chilena Gabriela Mistral lhe dedicou o poema Encargos, no livro Ternura.
Obra literária
Ensaios Cuatro estancias poeticas; Viena, sitial de la música de todos los tiempos;
Drama Cuando las hojas caen (1929); Cubos de Noria (1934), a trama se desenvuelve entre dois revolucionários que tomam caminhos diferentes: um, Andrés Vidales, se volta deputado, e a outra, Chole Saldívez decide ser mestre na serra; Coqueta (1935); Bajo el mismo techo (ano de publicação não encontrado); Peligro - Deshielo (ano de publicação não encontrado); La verdad escondida (1963);
Embaixadas Foi embaixadora em alguns países, como Suécia, Suíça, Finlândia, e Áustria, e também atuou como representante mexicana nas Nações Unidas.
Ministra Ministra Plenipotenciaria de México - (1953 - 1956)
Referências
