A Air France divulgou nesta quinta-feira (17) os resultados de uma pesquisa realizada para melhor compreender e reduzir os chamados impactos “não relacionados ao CO2” dos voos comerciais, em particular os rastros de condensação. Esta iniciativa está totalmente alinhada com a estratégia global da empresa de reduzir a pegada climática de suas operações e de participar ativamente de iniciativas científicas relacionadas à transição ambiental do setor. Os rastros de condensação, também conhecidos como trilhas de condensação, são os rastros brancos visíveis na esteira dos aviões. Eles se formam quando, em grandes altitudes, a atmosfera está fria e úmida o suficiente para que o vapor de água emitido pelos motores se condense e congele em torno de partículas finas, principalmente fuligem. A maioria desses rastros se dissipa em poucos minutos. No entanto, sob certas condições atmosféricas, eles podem persistir por várias horas, expandir-se e formar nuvens artificiais que podem ter um impacto significativo no aquecimento global. Uma série de testes abrangendo quase 4.300 voos comerciais. De fevereiro a abril de 2026, a Air France realizou um experimento direcionado para identificar e evitar áreas com alta probabilidade de formação persistente de rastros de condensação. Conduzido em colaboração com a Estuaire e a Klima, duas startups francesas que desenvolvem soluções para reduzir o impacto climático da aviação, parceiras tecnológicas e operacionais da companhia aérea, este experimento abrangeu quase 4.300 voos comerciais operados sobre o Atlântico Norte, uma área particularmente adequada para o estudo desses fenômenos.Por meio dessa campanha de testes, a Air France buscou um objetivo duplo: aprofundar a compreensão das condições de formação dos rastros de condensação que mais contribuem para o aquecimento global e avaliar, em condições reais de operação, a viabilidade de ajustes de trajetória para reduzir seu impacto climático. Com base nas análises realizadas, especialmente aquelas que consideraram as condições meteorológicas, as equipes da Air France identificaram 245 voos com alto potencial de impacto climático, para os quais rotas alternativas foram calculadas e estudadas. Destes, 130 voos foram efetivamente redirecionados. Essa abordagem ilustra a metodologia de teste e aprendizado da Air France, que envolve a comparação de modelos científicos e hipóteses teóricas com as realidades e restrições operacionais do transporte aéreo de longa distância.Lições inestimáveis Os resultados deste experimento mostram que estratégias direcionadas para evitar rastros de condensação podem prevenir a formação desses rastros ou, na impossibilidade disso, reduzir significativamente seu impacto climático. Eles também destacam uma alta concentração de efeitos não relacionados ao CO2: dentro da área de estudo, 3% dos voos foram responsáveis por 25% do impacto total dos rastros de condensação. Essas descobertas confirmam a relevância de uma abordagem direcionada, que consiste em identificar os voos mais sensíveis para que se possa agir onde o potencial de redução é maior. Resultados concretos e mensuráveis Os resultados obtidos são significativos. Os voos cujas rotas foram modificadas como parte deste experimento ajudaram a evitar o equivalente a 22.000 toneladas de CO2 e a reduzir o impacto climático relacionado aos rastros de condensação em 8% na área em questão. Na escala de voos efetivamente desviados, o benefício é ainda mais notável: uma redução de 57% no impacto climático dos rastros de condensação e uma redução de 36% no impacto climático geral. Uma abordagem colaborativa a serviço da pesquisa e da ação. Esses testes em larga escala foram conduzidos como parte do projeto europeu CICONIA, que reuniu diversos parceiros científicos, várias companhias aéreas e representantes do controle de tráfego aéreo. A experiência complementar da Estuaire e da Klima em climatologia, aliada ao conhecimento operacional da Air France, permitiu o avanço do conhecimento científico e o desenvolvimento conjunto de soluções operacionais concretas, beneficiando todo o setor. Este teste representa um passo significativo na exploração de novas formas de reduzir o impacto climático não relacionado ao CO2 do transporte aéreo. Ele demonstra o compromisso da Air France em acelerar a implementação de medidas para mitigar esses impactos. Para serem plenamente eficazes, essas iniciativas exigirão estreita cooperação com as partes interessadas no controle de tráfego aéreo, visto que quaisquer alterações no itinerário de um voo permanecerão sujeitas à sua aprovação. Vincent Etchebehere, Diretor de Desenvolvimento Sustentável e Novas Mobilidades da Air France, declarou: “Esta campanha de testes é um passo importante na avaliação, em condições reais, das ferramentas para reduzir o impacto climático dos rastros de condensação. Os resultados obtidos são encorajadores e serão compartilhados no âmbito do trabalho científico e europeu em andamento. Ao disponibilizar sua experiência e os dados de seus voos, a Air France pretende contribuir de forma transparente e rigorosa para a identificação de soluções eficazes que possam ser aplicadas em larga escala e sejam compatíveis com os desafios operacionais do transporte aéreo.” Laurent Lafontan, Diretor-Geral Adjunto de Operações de Voo da Air France, acrescentou: “Todas as nossas equipes, tanto em terra quanto em voo, estão comprometidas em reduzir o impacto de nossas operações. Temos orgulho de contribuir para esta pesquisa sobre rastros de condensação. Reduzir esses fenômenos exige uma melhor compreensão dos mecanismos que levam à sua formação, e esta fase de testes confirma que soluções concretas podem ser implementadas. Estamos prontos para continuar este trabalho, em conjunto com as diversas partes interessadas envolvidas.”✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp








